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Seconci-SP: diagnóstico precoce da hanseníase é fundamental

  • 2020 jan 27

Marcada por um passado de discriminação e isolamento de pacientes, a doença, se tratada corretamente, tem cura

São Paulo, 22 de janeiro de 2020 – Atualmente, o Brasil é o segundo país com mais casos de Hanseníase no mundo, atrás somente da Índia. Em 2018, foram registrados 208.619 casos no mundo, sendo 28.660 apenas no Brasil e 1.212 no estado de São Paulo. Nesse contexto, a campanha Janeiro Roxo surgiu com o intuito de promover esclarecimentos e conscientização sobre a doença, estabelecendo a próxima segunda-feira, 27 de janeiro, como sendo o Dia Mundial da Luta contra a Hanseníase. A dermatologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), Marli Izabel Penteado, destaca que, apesar de um passado marcado por discriminação, a hanseníase tem cura e, se o doente estiver em tratamento, não oferece risco de contágio.

“Por ser uma doença infecciosa e contagiosa, a transmissão ocorre por meio do contato próximo e contínuo com o paciente não tratado. Por isso, o maior problema é estender os exames às pessoas próximas ao paciente já diagnosticado, onde está o foco”, explica a médica.

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, a doença é transmitida principalmente pelas vias respiratórias superiores, além do contato com a pele do paciente. Sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa infectada e apresenta múltiplas manifestações clínicas, desde áreas anestésicas, manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas, caroços na pele e lesões dos nervos periféricos.

O período de incubação é prolongado e, em geral, varia de cinco a sete anos. “O bacilo gosta de temperaturas mais frias, então afeta principalmente a pele e nervos superficiais. Normalmente, os doentes não diagnosticados precocemente desenvolvem complicações nos pés, mãos e olhos”, explica a médica. “É importante ficar atento aos sinais e procurar o dermatologista o quanto antes, pois ele prescreverá o tratamento adequado”, completa.

Passado estigmatizado e prevenção

Segundo a médica, ainda há um estigma em relação à doença, e o desconhecimento e a falta de informação acabam dificultando o diagnóstico. Até a década de 1960, a hanseníase era tratada por meio da internação compulsória no Brasil e os pacientes eram discriminados e isolados do convívio social.

A doença acomete principalmente pessoas com situação econômica, social e ambiental desfavorável. Há maior incidência no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Segundo um estudo realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de Brasília, Fiocruz Brasília, London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e Universidade Federal Fluminense (UFF), o risco de uma criança contrair hanseníase na região Norte do Brasil é 34 vezes maior do que no Sul.

Em relação à prevenção, dra. Marli explica que a maior parte da população já nasce naturalmente resistente à doença. “O autoexame é fundamental, verificando se há manchas claras ou avermelhadas na pele, além de checar com atenção pontos de sensibilidade. Caso note alguma anormalidade, o paciente deve buscar ajuda médica”, indica a dermatologista.

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