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Dia Mundial de Conscientização do Autismo

  • 2020 abr 01

É preciso saber e falar mais sobre isso

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. São elas: Autismo Infantil Precoce, Autismo Infantil, Autismo de Kanner, Autismo de Alto Funcionamento, Autismo Atípico, Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação, Transtorno Desintegrativo da Infância e a Síndrome de Asperger.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 (referência mundial de critérios para diagnósticos), pessoas dentro do espectro podem apresentar déficit na comunicação social ou interação social (como nas linguagens verbal ou não verbal e na reciprocidade socioemocional) e padrões restritos e repetitivos de comportamento, como movimentos contínuos, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Todos os pacientes com autismo partilham estas dificuldades, mas cada um deles será afetado em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares. Apesar de ainda ser chamado de autismo infantil, pelo diagnóstico ser comum em crianças e até bebês, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.

 

Luta contra o preconceito persiste e a inclusão social é desafio

São cerca de 70 milhões de autistas em todo o mundo, 2 milhões, no Brasil

O mês de abril chega com celebrações importantes, como a Páscoa, mas antes, uma data que também deve ser comemorada pela sociedade, que é 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído em 2007 pela ONU (Organização das Nações Unidas). O mês, que celebra e conscientiza a sociedade acerca da luta pelos direitos daqueles que possuem diagnóstico do TEA (Transtorno do Espectro Autista), chega para mostrar as barreiras e dificuldades enfrentadas pelos autistas e suas famílias, que são grandes e impedem o pleno acesso.

Infelizmente, essas barreiras são alicerçadas na ignorância e no preconceito. Daí a necessidade de informar a sociedade acerca do TEA, que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros e 70 milhões de pessoas em todo o mundo, e requer cuidados indispensáveis, principalmente quando se apresenta com outras comorbidades como a deficiência intelectual e a epilepsia.

Segundo Natália Costa, mestre em Psicologia e diretora do CENSA Betim, instituição que promove a plena participação de todas as pessoas com autismo na sociedade, garantindo o apoio necessário para que elas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais, “O trabalho do CENSA com a pessoa com autismo é norteado pelos cuidados básicos e educação socializadora, atendimento com equipe transdisciplinar e estabelecimento de uma rotina funcional com vistas à aquisição de um repertório comportamental que possibilite maior independência e inclusão social. Trabalhamos também com as famílias, no sentindo de instrumentaliza-las a lidar com episódios e intercorrências comuns, tais como: crises de agitação psicomotora, comportamentos auto lesivos e outras situações que possam gerar dano à pessoa com autismo”.

A atenção dispensada para uma pessoa adulta com diagnóstico de autismo e deficiência intelectual de moderada a severa significa, na maioria dos casos, cuidados pervasivos, ou seja, requer um maior número de profissionais envolvidos durante 24 horas por dia e ao longo de toda a vida do indivíduo. “Os desafios são muitos. Talvez, o maior deles é estabelecer um plano de atendimento efetivo para aquela pessoa que teve um diagnóstico tardio, pouca ou nenhuma intervenção na infância e na adolescência. Outro aspecto que que é muito desafiador, é lidar com pessoas com outros diagnósticos e comorbidades associadas ao autismo, como deficiência intelectual severa, epilepsia de difícil controle e comportamentos disruptivos”, concluiu Natália Costa, que destacou a importância do acompanhamento de uma equipe transdisciplinar constante, tanto para o indivíduo, quanto para a família da pessoa com autismo, no intuito de oferecer condições favoráveis para uma melhor qualidade de vida.

 

85% dos profissionais autistas estão fora do mercado de trabalho

A dificuldade das empresas brasileiras incluírem autistas em seus quadros funcionais

Segundo a Autism Speaks, organização dedicada a promover soluções para pessoas com o espectro, em pesquisa realizada em 2014 nos Estados Unidos detectou que 85% dos profissionais com autismo estavam fora do mercado de trabalho.

No Brasil os dados são inexistentes, porque até meados de 2018, o Censo do IBGE não incluía perguntas relacionadas ao espectro nas questões sobre pessoas com deficiência. Se 2 milhões das pessoas com autismo estão no Brasil, porque o nosso mercado de trabalho ainda é restrito a esses profissionais?

Com o objetivo de abordar essa questão ainda pouco debatida nas empresas, Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria de Sustentabilidade e Diversidade explica que as empresas brasileiras ainda estão distantes de promover uma verdadeira inclusão desses profissionais. “Quando trazemos esse tema para a pauta nas empresas, percebemos que o tema não era trabalhado nas questões de Diversidade e até bastante estigmatizado, o que infelizmente acaba refletindo na inserção desses profissionais no mercado de trabalho. Em resumo, quando falamos de inclusão de PCD a primeira opção não é contratar autistas”, explica Liliane.

O lado bom é que as empresas já estão começando a se movimentar para inserir o tema junto às lideranças. “Do ano passado para cá temos visto alguns avanços. O cenário está mudando. Na verdade tem que mudar, afinal com tantas pessoas com autismo no país é preciso desenvolver ferramentas e estruturas para que as empresas possam contratá-las e permitirem que tenham os mesmos direitos do que qualquer profissional”.

As iniciativas que vêm sendo adotadas no Brasil com foco na inclusão foram: a Lei nº 13.861/2019, a resolução da Prefeitura de SP (Lei 16.756, de 7/10/2019) que exige a inclusão do símbolo do Transtorno do Espectro Autista nas placas de atendimento prioritário e no início de 2020 a aprovação da Lei Romeo Mion (Lei 13.977/20) que institui a Carteira Nacional do Autista, documento que dá à população autista prioridade de atendimento em serviços públicos e privados, especialmente nas áreas da saúde, educação e assistência social.

“No âmbito legal esses foram três grandes marcos que têm impulsionado o diálogo sobre a inclusão de autistas. A legislação tem papel fundamental na mudança social porque legitima e serve de alicerce para a luta de inclusão e valorização da diversidade nas empresas, mas como especialista acredito que ainda há um longo caminho a ser percorrido para garantir inclusão efetiva de profissionais autistas”.

A Legislação de 1991 determina que as empresas com mais de 1000 funcionários tem que ter mais de 5% dos seus quadros formados por pessoas com deficiência. Mas apesar disso ainda existem muitas barreiras para incluir as pessoas com deficiência em geral, e as barreiras são ainda maiores quando se trata de inclusão de pessoas com deficiência intelectual.

02 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo

A ONU (Organização das Nações Unidas) definiu todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (no original em inglês: World Autism Awareness Day), quando cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul – no Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor – para lembrar a data e chamar a atenção da mídia e da sociedade para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em 2020, pela primeira vez, a comunidade envolvida com a causa do autismo no Brasil todo segue, unida, em uma campanha nacional com tema único: “Respeito para todo o espectro”, para celebrar a data, usando a hashtag #RESPECTRO nas redes sociais

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