O pintor e escultor Adelio Sarro abre as portas do MAAS em Vinhedo

  • 2018 out 06

“O Universo retorna para nós tudo aquilo que jogamos para ele”. Com essa filosofia de vida, o menino pobre do interior de São Paulo que começou a pintar utilizando restos de papel e tinta que encontrava nas ruas, e comia casca de maça para matar a fome, tornou-se um dos maiores artistas plásticos da atualidade. Neste sábado, dia 6 de outubro, Adelio Sarro concretiza mais um grande sonho, e abre ao público as portas do Memorial de Arte Adelio Sarro (MAAS), em Vinhedo, um valioso espaço para disseminação da cultura e eternização da arte de um dos mais importantes artistas brasileiros. Além de abrigar obras do acervo de Sarro, o espaço será aberto para outros artistas e manifestações culturais.

Com 2000 m² de construção, o Memorial foi projetado pelo próprio artista e construído com recursos próprios. “É a realização do sonho de uma vida. Nele, através da arte, eu pude contar minha trajetória desde menino, quando aos 12 anos comecei a pintar e a esculpir. O processo de realização não foi fácil, aconteceu gradativamente, a custa de muito trabalho e em condições das mais adversas”, declara Adelio Sarro.

O Memorial chama a atenção pela riqueza de detalhes. Logo na fachada, um painel de nove metros de altura por 17 de largura, esculpido em baixo relevo no concreto, conta a história de vida do artista. O pai agricultor, a mãe lavandeira, a fase em que trabalhou como metalúrgico e ele já como artista estão retratados nesta imensa obra.

 

Imponente prédio foi projetado pelo artista. Esculturas no muro contam história da vida de Adelio Sarro

 

No alto, sete esculturas sentadas com a mão no peito guardam o tesouro que essas belas paredes abrigam. “Esses sou eu. Cada um traz na mão uma ferramenta do meu trabalho”, explica Sarro. Guardiões da arte e da Cultura. “Com a abertura do MAAS,  deixo um legado, especialmente para as novas gerações, para que cresçam sabendo que, assim como a educação, a arte nos possibilita conectar com nossa própria história e dialogar com o mundo”, ressalta o artista.

A parte interna é dividida em espaços que acomodam harmoniosamente as coleções de Sarro e também salas para a realização de workshops e divulgação de outros artistas, das mais diversas linguagens da arte.

No salão principal, quadros e esculturas retratam diversos períodos da carreira do artista

 

Logo no primeiro salão do Memorial o visitante já tem acesso à exposição permanente de Adelio Sarro. São quadros e esculturas que retratam diversos períodos de sua carreira. Inclusive a coleção Arte Acesso, pintadas por Sarro para deficientes visuais e que já percorreu o Brasil e o mundo. Desenvolvida com técnica mista e diversos materiais como resina, papel, tecido, pó de mármore, entre outros, criam campo visual tátil. Além da descrição em braile, os quadros podem ser tocados. O artista se utiliza de um gráfico no canto de cada quadro que ajuda o portador de deficiência a entender a tela. “A aspereza corresponde a cor de cada detalhe da pintura do cabelo, da calça, da pele”, explica Sarro.

Coleção Arte Acesso foi pintada por Sarro para deficientes visuais e podem ser tocadas

 

No mezanino está a primeira tela pintada pelo artista, em 1962, quando ainda era menino. Ao lado, pintada dez anos mais tarde, a primeira tela de sua carreira artística. Mesmo sem técnica, como destaca Sarro, ou material de qualidade, as duas obras já demonstram a grandiosidade do artista que seria reconhecido mundialmente. Também neste espaço estão expostos alguns retratos pintados ao longo de sua carreira e  nos quatro cantos do mundo.

A primeira tela de Sarro ainda menino, de 1962 (paisagem) e a primeira tela da carreira (retrato)

 

Uma segunda sala, que  por enquanto abriga obras do acervo de Sarro, é destinada a receber obras de artistas das mais diversas linguagens da arte. “A ideia é a cada dois meses expor trabalhos de novos artistas”, destaca.  Já para o mês de novembro está programa a exposição “Mulheres de Vênus” com obras de ceramistas, escultoras e pintoras.

Salão vai abrigar, a partir do próximo mês, obras de artistas das diversas linguagens da arte

 

A Árvore das Maçãs, simbolo do artista e escultor

Em frente ao Memorial repousam grandes obras no espaçoso Jardim das Esculturas. Entre tanta beleza, destaque para a Árvore das Maçãs, uma espécie de árvore da vida do artista. “São 66 maçãs, minha idade em 2017, quando fiz essa escultura. São 33 maças no pé e outras 33 no chão, uma alusão à idade de Cristo”, ressalta o artista que não esconde sua religiosidade e fé. A maçã é um símbolo do artista e está presente em quase todas as suas obras. “Uma lembrança da minha infância pobre, quando eu trabalhava na agricultura e comia as casca de maçã que a professora jogava no lixo”, relembra.

O prédio construído com conceitos de sustentabilidade (luz natural e reutilização de água),  abriga ainda um Café Cultural,  uma loja de souvenirs, uma sala para workshops, rampas e elevador para portadores de deficiências. Em um anexo fica a oficina de esculturas de Sarro.

Mais que um Memorial de Artes, o MAAS é a realização pessoal de um artista de origem humilde e que hoje está presente em galerias espalhadas pelo mundo. Um feito que poucos conseguem realizar. Parar? Não tão cedo. “Quem vai viver até os 120 anos ainda tem muito por realizar”, projeta Sarro.

 

O artista

A imponência da construção contrasta com a simplicidade do artista que conquistou o mundo sem esquecer suas raízes. Pintor e escultor, Adelio Sarro nasceu em 1950 em Andradina, interior de São Paulo. Autodidata, começou a desenhar na infância, trabalhando com vários suportes como madeira, mármore, metal e ilustração de desenhos. No fim da década de 60, ao visitar o museu de Portinari teve uma grande inspiração e começou a se dedicar totalmente à pintura.

Desde 1972, Sarro vem apresentando suas obras em exposições coletivas e individuais em Galerias e Centros Culturais do Brasil e do mundo. O artista tem obras expostas em vários locais, entre eles no Palácio das Nações, na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra; no Museu Imperial do Japão; no Changjiang Museum, na China; entre outros.

Entre suas obras destacam-se também 15 painéis tridimensionais que representam a Via Sacra de Jesus e estão expostos na Basílica de Aparecida, SP. “Quando deixei minha cidade Natal disse ao padre que um dia voltaria para pintar a igreja. Anos mais tarde fui convidado a pintar não a igreja, mas a casa de Nossa Senhora, em Aparecida”,  emociona-se o artista.

Livro à venda na loja do MAAS retrata obras de Sarro na Basílica de Aparecida

 

As obras monumentais em concreto de Sarro também podem ser vistas em diversas cidades brasileiras: São Caetano do Sul, Embu, Brodowski, Andradina, Jardinópolis, Santa Fé do Sul, entre outras.

 

Eventos programados 

Para os próximos meses de novembro e dezembro, há dois eventos programados no espaço do MAAS, a exposição Universo Vênus, na qual várias artistas parceiras de Sarro mostrarão suas obras e a Feira de Artes Karuá, com diversas manifestações artísticas. “A gente faz um trabalho sério, respeitado e temos que expandir para a população, democratizar a arte”, reforça Sarro.

 

Serviço

Memorial de Arte Adelio Sarro – MAAS
Rua Ursa Maior, 210 – Mirante das Estrelas – Vinhedo
Funcionamento: Quarta, quinta e sexta-feira, das 10h às 17h – para grupos agendados (de 10 a 30 pessoas). Sábado e domingo: aberto ao público das 10h às 17h.
Entrada: R$ 10 inteira e R$ 5 meia -entrada

Informações:  (19) 99661.6227 / (19) 3826.0993

 

Adelio Sarro convida a todos a visitar o MAAS

 

Da Redação (Texto: Ana Paula Bardella e Fotos: Rebeca Von Zuben)

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